No mundo dos blogs

Friday, February 10, 2006

Protesto virtual

A turnê do Offspring em terras brasileiras deu o que falar, mas não pelo lado musical. O show que aconteceu na cidade de Porto Alegre no último dia 18 de outubro teve uma mudança de última hora que causou muita confusão. A banda gaúcha Walverdes, convidada para fazer abertura, foi substituída por outra, a Tequila Baby, e por um motivo absurdo. Os integrantes do Offspring desaprovaram a escalação e exigiram a troca. O problema é que toda a divulgação já tinha sido feita utilizando o nome dos Walverdes. Quem foi ao Gigantinho e não os viu tocando antes dos californianos ficou sem entender nada.

O LABORATÓRIO POP conversou com o baixista Patrick Magalhães para saber um pouco mais desse caso, que já ganhou o bem-humorado nome de "Walverdesgate". Segundo ele, alguém da produtora Opus Produções (cujo nome Patrick preferiu não revelar) fez contato com a banda. "Citaram nosso nome, como uma ‘banda nova’, ligaram para o Marcos, nosso baterista, e fizeram o convite, faltando cerca de três semanas pro show", diz.

Entre o acerto e a dispensa não houve nenhum tipo de problema envolvendo o Walverdes e a produtora. "Aparentemente, tudo ia bem", diz Patrick. Porém, uma nova ligação faltando 48 horas para o show mudaria tudo. "No sábado à tarde, dia 16 de outubro, ligaram pro Marcos dizendo que não tocaríamos mais. Pediram desculpas e disseram que nos convidariam para abrir um outro show futuramente", diz Patrick. O motivo seria o tal veto.

Haveria algum motivo para o Offspring desaprovar a participação do Walveredes, uma banda independente com quase 11 anos de estrada? "Talvez não tenham achado que as músicas que estão no site da Tramavirtual tivessem a ver com o som deles. Não sei se ouviram a Tequila Baby também", responde Patrick. Uma reportagem publicada pelo jornal porto-alegrense Zero Hora no dia que seria da apresentação definia da seguinte maneira o trabalho do Walverdes: "o som direto e barulhento do trio, com ênfase nas guitarras e na velocidade, guarda semelhanças com o do quarteto californiano, embora a relação não seja direta".

Sobre a postura da banda que os substituiu, Patrick diz que "A Tequila Baby foi convidada pela Opus para tocar no nosso lugar, e tocou. Apesar disso, nossa indignação é com a produtora, e não com a banda". Porém, ele dá a entender que há algo no ar: "Problemas entre as bandas são assuntos que estão sendo resolvidos diretamente entre nós e eles", diz.

Para Patrick, a possibilidade de abrir um show para o Offspring era uma ótima oportunidade para o Walverdes. "Já tocamos em festivais grandes antes, mas esse certamente seria o maior público, e em casa", afirma. Uma nota oficial publicada no blog da banda (http://www.walverdes.com/blog) fala em "medidas jurídicas": "Danos morais, e o que mais tivermos direito", informa o baixista. A busca por justiça não fica restrita apenas à banda. Os fãs também irão procurar seus direitos. "Algumas pessoas que foram pra ver a gente comentaram na internet que vão processar a Opus por propaganda enganosa", diz Patrick.

Quando perguntado sobre possíveis lições a se tirar desse episódio, Patrick acha que "os profissionais da Opus estão aprendendo muito mais com esse episódio do que a gente"

Outro lado - A reportagem do LABORATÓRIO POP tentou manter contato com a assessoria de imprensa da Opus (http://www.opuspromocoes.com.br/opus.htm). Um e-mail foi encaminhado no dia 20 de outubro, às 11h46. No entanto, até às 23h00 do dia 26, data em que este texto foi entregue à redação, não houve resposta. O espaço para esclarecimentos por parte da empresa que promoveu o show do Offspring em Porto Alegre continua aberto.

Nota do redator: os esclarecimentos nunca vieram

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