No mundo dos blogs

Friday, February 10, 2006

A saudade não pára

"Cazuza - O tempo não pára" é uma das maiores bilheterias do cinema nacional de 2004. Seu mérito é apresentar a história de um de nossos mais talentosos cantores e compositores às novas gerações. Porém, muito antes de o filme estrear, a memória de Cazuza vem sendo cultuada em blogs adolescentes como o de Mariana Guedes, 17, responsável pelo Exagerada Verdadeira (http://amocaju.blog.uol.com.br)

Esta piauiense natural de Teresina conheceu o trabalho de seu ídolo de maneira curiosa. Caetano Veloso foi o responsável por apresentar Cazuza a ela. "Adoro as composições de Caetano e acompanho seu trabalho desde os 12, 13 anos. Certa vez o ouvi interpretando Todo amor que houver nesta vida e fiquei maravilhada com a letra. Logo descobri que não era de sua autoria. O compositor era Cazuza aquele cara bonito e polêmico que eu havia visto algumas vezes na TV. Comprei uma coletânea de Cazuza e a paixão tornou-se desenfreada", diz.

Um dos resultados dessa paixão desenfreada foi o blog na internet. "Eu respiro Cazuza. A filosofia, as idéias e as angústias que ele expressa em sua poesia tem muito a ver comigo", diz. "Eu já tinha a intenção de homenageá-lo, mas de uma forma sutil, apenas mostrando o quanto ele se faz presente em minha vida. Escrever um blog e falar dele foi inevitável. Acabei exagerando e o blog passou a ser dele, ou melhor, para ele", complementa.

Exagerada Verdadeira traz textos escritos por Mariana, transcrições de sites noticiosos e fotos. Numa delas, ela aparece deitada numa praia e com o nome de Cazuza escrito na areia. Outra mostra uma tatuagem muito especial que ela fez no pé. "Tatuei CAJU no pé temporariamente (henna) durante as férias em Fortaleza. Durou apenas algumas semanas". O que foi uma coisa temporária pode se tornar permanente no futuro: "Tenho planos de cravar o nome dele no meu pulso", afirma a exagerada.

Cazuza teve duas fases em sua carreira. Uma como líder do Barão Vermelho e outra, solo. De qual das duas Mariana gosta mais? "A fase solo da carreira de Cazuza me agrada mais por ser mais romântica, mais madura. No entanto, o trabalho com o Barão Vermelho foi maravilhoso: um rock de garagem despojado como só eles souberam fazer", responde. Sobre o Barão da atualidade, ela diz acompanhar muito pouco. "É uma nova formação; é diferente do que eu costumo ouvir no CD do Rock in Rio 1985". Mesmo assim, ela só tem elogios a Frejat: "Ele é um artista excepcional, gosto de suas músicas".

Da carreira solo, o álbum preferido de Mariana é "O tempo não pára (ao vivo)". Segundo ela, "é um disco leve, lindo". Foi uma fase importante na carreira do Caju. E "Faz Parte do Meu Show" é a música com a qual mais se identifica: "É uma obra-prima de uma doçura e sinceridade ausentes em muitas pessoas", diz.

No blog, Mariana se diz fã de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza e co-autora do livro "Só as mães são felizes", que serviu de base para o filme. "Ela é uma mulher incrível: ultrapassou barreiras intransponíveis para muitas mães. Amou e ama Cazuza de uma maneira divina. Seu trabalho na Sociedade Viva Cazuza, que cuida de crianças portadoras do vírus HIV, é louvável", afirma.

Mariana diz que assistiu a "Cazuza - o tempo não pára" quatro vezes. Um ponto positivo destacado por ela é o elenco: "É de primeira: Marieta Severo como Lucinha, Reginaldo Farias como João e principalmente Emílio de Melo como Ezequiel Neves, numa atuação magnífica. Daniel de Oliveira parece incorporar Cazuza: uma verdadeira enxurrada de emoções", diz.

Haveria espaço para a música de Cazuza entre os adolescentes de hoje? "Até alguns meses, para muitos adolescentes, Cazuza era apenas um cantor vítima da Aids, infelizmente. Ele tem espaço maior entre os adultos (jovens de sua geração) que conheceram sua carreira de perto. Com o filme foi possível apresentar Cazuza e o rock dos anos 80 à juventude contemporânea, muitas vezes entretida com a falta de expressividade e mesmice musical que o país atravessa. A maioria dos jovens ainda está conhecendo Cazuza, cantarolando alguns de seus versos, buscando seu legado. Sua influência em todas a gerações, inclusive na minha, só tende a crescer".

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